NOVAS REGRAS DE PROPRIEDADE DE MINAS PODEM AFASTAR INVESTIMENTO ESTRANGEIRO EM MOÇAMBIQUE.

SECTOR MINEIRO ALERTA PARA RISCOS DE INCERTEZA JURÍDICA E PERDA DE COMPETITIVIDADE REGIONAL.

As novas regras relativas à propriedade e à participação de capital moçambicano nos projectos mineiros estão a gerar preocupação entre os investidores internacionais e representantes da indústria extractiva.

 O sector considera que as recentes alterações ao quadro regulatório poderão reduzir a atractividade de Moçambique como destino de investimento, comprometendo a entrada de novos capitais e a expansão de projectos já planeados.

Segundo um órgão representativo da indústria mineira, as mudanças introduzidas no regime de licenciamento e nas exigências de participação local criam um ambiente de maior incerteza jurídica e aumentam os custos de entrada para empresas estrangeiras interessadas em operar no país.

 A organização alerta que este cenário poderá levar ao adiamento ou mesmo ao cancelamento de investimentos nos sectores do carvão, grafite, areias pesadas e minerais críticos, considerados estratégicos para a transição energética mundial.

Por sua vez, o Governo defende que as novas medidas têm como principal objectivo assegurar que a exploração dos recursos naturais gere maiores benefícios para o Estado, promova a participação de empresas nacionais e contribua para o desenvolvimento das comunidades onde os projectos são implementados.

Entretanto, operadores privados argumentam que, sem um quadro legal estável, previsível e competitivo, Moçambique poderá perder investimentos para países vizinhos como a Zâmbia, a Tanzânia e a República Democrática do Congo, que disputam os mesmos fluxos de capital destinados à exploração de minerais estratégicos.

O sector mineiro constitui um dos principais pilares da economia moçambicana, contribuindo significativamente para as exportações, arrecadação de receitas fiscais e criação de emprego.

 Especialistas alertam que uma eventual redução do investimento estrangeiro poderá afectar o crescimento económico, limitar a criação de postos de trabalho, atrasar o desenvolvimento de infra-estruturas e exercer pressão sobre a balança de pagamentos do país.

O debate em torno das novas regras deverá continuar nos próximos meses, numa altura em que Moçambique procura equilibrar a valorização dos seus recursos naturais com a necessidade de manter um ambiente favorável ao investimento privado.

Fonte: Associação representativa da indústria mineira e Governo de Moçambique.

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