O Presidente da República, Daniel Chapo, confirmou esta sexta-feira o avanço de importantes projectos de mobilidade urbana e ferroviária no país, com destaque para a implementação do sistema de autocarros de trânsito rápido (BRT), do metro de superfície e da futura linha férrea Norte-Sul.
O anúncio foi feito durante a cerimónia de
graduação na Universidade Wutivi-Unitiva, numa intervenção em que o Chefe de Estado colocou as infraestruturas e os transportes como prioridades do actual mandato.
Segundo Chapo, o Governo pretende avançar com o sistema BRT e com o metro de superfície para melhorar a circulação de passageiros e reduzir o congestionamento que afecta diariamente a região metropolitana de Maputo, sobretudo nos corredores que ligam a capital à Matola, Marracuene e Boane.
O projecto BRT enquadra-se na retoma do programa MOVE Maputo, anteriormente mencionado pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe. O plano prevê beneficiar cerca de 140 mil passageiros por dia, com um trajecto entre a Praça dos Trabalhadores e o Zimpeto, passando pela Matola-Gare e Marracuene.
O sistema BRT é considerado o projecto mais avançado no sector da mobilidade urbana, tendo em conta que já conta com negociações de financiamento envolvendo o Banco Mundial e outros parceiros internacionais. O projecto existe desde 2014, mas esteve paralisado durante anos devido à falta de fundos.
Já o metro de superfície surge como uma novidade para Moçambique. Trata-se de um sistema ferroviário ligeiro que circula ao nível da rua e que apresenta custos inferiores aos de um metro subterrâneo, sendo apontado como alternativa moderna para o transporte urbano de massa.
Relativamente à linha férrea Norte-Sul, Daniel Chapo revelou que decorrem estudos de viabilidade para uma futura ligação ferroviária directa entre o sul e o norte do país. Caso o projecto avance, Moçambique poderá passar a contar, pela primeira vez, com uma ligação ferroviária contínua entre Maputo e Nampula, reduzindo a dependência de rotas ferroviárias que actualmente atravessam o Malawi e a África do Sul.
Apesar do anúncio, o projecto ferroviário continua numa fase preliminar. Especialistas consideram que os estudos de viabilidade representam apenas o primeiro passo de uma iniciativa historicamente adiada devido aos elevados custos de construção.
Com estes anúncios, o Governo procura transmitir uma imagem de aposta estratégica nas infraestruturas, mobilidade urbana e integração territorial. Ainda assim, permanece o desafio de transformar promessas e estudos técnicos em obras concretas, num contexto em que vários projectos estruturantes enfrentaram atrasos ao longo dos últimos anos.
#COSSAINFORMACAO/2026
(R.M.)
