O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, elevou o tom das críticas contra a Grécia, exigindo que Atenas altere a sua política em relação à militarização de algumas ilhas do Mar Egeu, consideradas por Ancara abrangidas por regimes de desmilitarização previstos em tratados internacionais.
Erdoğan afirmou que a Turquia não possui ambições territoriais sobre outros países, mas advertiu que Ancara não permitirá, segundo as suas palavras, que os seus direitos sejam violados.
O líder turco também apelou à Grécia para abandonar o que classificou como um “caminho errado” e respeitar os tratados internacionais. Erdoğan acrescentou que a postura “calma e racional” da Turquia não deve ser interpretada como sinal de fraqueza.
A declaração ocorre poucos dias depois de Israel e Grécia terem assinado, em Tel Aviv, um acordo de defesa avaliado em cerca de 3,035 mil milhões de euros, destinado à criação do sistema integrado de defesa aérea, antimíssil e antidrones denominado “Escudo de Aquiles”.
O QUE PREVÊ O “ESCUDO DE AQUILES”?
O programa prevê uma arquitectura de defesa em várias camadas, combinando sistemas israelitas como David’s Sling, SPYDER e BARAK MX, além de radares multifunções e um novo sistema nacional de comando e controlo.
O acordo inclui ainda sistemas Drone Dome, destinados à protecção contra drones, e prevê transferência de conhecimento e tecnologia, bem como participação da indústria de defesa grega.
O Governo grego enquadra o programa na sua reforma militar “Agenda 2030”, apresentada como uma modernização abrangente das Forças Armadas perante novas ameaças aéreas, balísticas, de drones e de guerra híbrida.
TURQUIA, GRÉCIA E ISRAEL
O novo acordo aprofunda a cooperação estratégica entre Atenas e Tel Aviv num momento de persistentes tensões entre a Grécia e a Turquia no Mediterrâneo Oriental.
Embora o acordo Israel–Grécia não seja apresentado oficialmente como dirigido contra a Turquia, a sua dimensão e o contexto regional aumentam a atenção de Ancara, sobretudo devido à intenção grega de reforçar as suas capacidades de defesa aérea e antimíssil.
A situação reacende, assim, o debate sobre o equilíbrio militar no Mediterrâneo Oriental e sobre o risco de uma nova escalada entre os dois membros da NATO.
FONTES: Ministério da Defesa de Israel; Ministério da Defesa Nacional da Grécia; Reuters; eKathimerini.
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