GUARDIÕES DO MAR AJUDAM A PRESERVAR O PARQUE NACIONAL DO ARQUIPÉLAGO DE BAZARUTO.

FISCAIS E COMUNIDADES SÃO APONTADOS COMO PEÇAS-CHAVE NA PROTECÇÃO DA MAIOR ÁREA DE CONSERVAÇÃO MARINHA DE MOÇAMBIQUE

O trabalho silencioso dos fiscais do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto tem sido determinante para a preservação de um dos mais importantes ecossistemas marinhos de Moçambique. 

Todos os dias, antes mesmo da chegada dos primeiros visitantes, equipas de fiscalização percorrem praias, canais e recifes em busca de redes ilegais, sinais de caça furtiva e ameaças às espécies protegidas.

Grande parte destes fiscais nasceu nas comunidades locais e, em tempos, dependia da pesca para garantir o sustento das suas famílias. Hoje, colocam esse conhecimento ao serviço da conservação, contribuindo para proteger a biodiversidade do arquipélago e assegurar a utilização sustentável dos recursos marinhos.

Durante vários anos, a fiscalização enfrentou inúmeras dificuldades devido à escassez de embarcações, equipamentos e meios de comunicação. 

Apesar dessas limitações, os profissionais mantiveram-se firmes na missão de proteger espécies emblemáticas, como os dugongos, as tartarugas marinhas e os recifes de coral.

O fiscal Fernando Zivane recorda que a mudança de mentalidade nas comunidades foi um processo gradual, construído através do diálogo e da confiança entre os moradores e a administração do parque. 

Já Santos Abdul destaca que o trabalho exige dedicação permanente, muitas vezes em condições meteorológicas adversas e perante actividades ilegais que colocam em risco o património natural.

Actualmente, a fiscalização conta com melhores meios operacionais e trabalha em estreita colaboração com investigadores científicos. 

A bióloga marinha Lorena Matos explica que os dados recolhidos diariamente pelos fiscais permitem monitorar ninhos de tartarugas, habitats sensíveis e outras espécies, fornecendo informação essencial para uma gestão baseada em evidências científicas.

Segundo o administrador do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, Armando Nguenha, o sucesso da conservação depende da cooperação entre fiscais, comunidades e administração. 

Na sua avaliação, sem uma fiscalização permanente, o parque enfrentaria sérias ameaças provocadas pela exploração ilegal dos recursos naturais.

Reconhecido como a maior área de conservação marinha de Moçambique, o Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto alberga importantes populações de dugongos, cinco espécies de tartarugas marinhas, extensos recifes de coral, aves costeiras e uma grande diversidade de peixes, constituindo um dos principais destinos de turismo ecológico do país.

Por detrás desta riqueza natural está o esforço diário de homens e mulheres que patrulham o mar antes do nascer do sol, protegendo um património que representa não apenas a biodiversidade nacional, mas também o futuro das próximas gerações.

Fonte: Jornal Savana. #COSSAINFORMACAONEWS/2026. 

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