Autoridades guineenses rejeitam o apelo do Presidente moçambicano para uma intervenção da CPLP na crise política do país e acusam-no de falta de legitimidade para comentar a situação.A Guiné-Bissau reagiu às recentes declarações do Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, acusando-o de interferir nos assuntos internos do país.
A posição foi tornada pública através de um comunicado do Conselho Nacional de Transição, que contesta as observações feitas pelo Chefe de Estado moçambicano sobre a crise política guineense.
Numa entrevista concedida à Rádio e Televisão de Portugal (RTP), Daniel Chapo defendeu que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deve continuar a acompanhar a situação política na Guiné-Bissau e contribuir para a procura de uma solução.
"O caso da Guiné-Bissau é um desafio para a nossa comunidade. Achamos que, como comunidade, temos de continuar a trabalhar para resolver esta questão política o mais rapidamente possível", afirmou o Presidente moçambicano.
Referindo-se à detenção do líder da oposição, Domingos Simões Pereira, Daniel Chapo considerou que o assunto deve ser analisado pela CPLP, de modo a avaliar as medidas que poderão contribuir para uma solução pacífica da crise.
Em resposta, as autoridades guineenses emitiram um comunicado em tom crítico, rejeitando o que classificam como "lições de moral e democracia".
O documento sustenta que Daniel Chapo "carece de estofo, legitimidade e autoridade moral" para comentar a situação política da Guiné-Bissau.
O Conselho Nacional de Transição acusa igualmente o Presidente moçambicano de ingratidão, recordando que a Guiné-Bissau foi o único Estado-membro da CPLP representado ao mais alto nível na cerimónia de tomada de posse de Daniel Chapo, após as eleições gerais de 2024.
As declarações surgem numa altura em que as relações entre a Guiné-Bissau e alguns parceiros da CPLP enfrentam um período de crescente tensão diplomática, motivada pela evolução da situação política interna do país.
Fonte: RTP; Comunicado do Conselho Nacional de Transição da Guiné-Bissau.
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