LEÕES ATACAM GADO EM MASSINGIR E ESPALHAM PÂNICO NAS COMUNIDADES.

FELINOS SAÍDOS DO PARQUE NACIONAL DO LIMPOPO MATARAM QUATRO BOVINOS E UM BURRO; AUTORIDADES ADMITEM FALTA DE MEIOS PARA RESPONDER AO CONFLITO ENTRE HOMEM E FAUNA BRAVIA.

Os ataques de leões a animais domésticos no distrito de Massingir, província de Gaza, estão a gerar preocupação e insegurança entre as comunidades locais, depois de um grupo de felinos alegadamente proveniente do Parque Nacional do Limpopo ter morto quatro cabeças de gado bovino e um burro nos últimos dias.

Apesar de não haver registo de vítimas humanas, a população manifesta descontentamento com a resposta das autoridades distritais e da administração do Parque Nacional do Limpopo, acusando-as de não conseguirem impedir a circulação de animais selvagens para fora das áreas de conservação.

O administrador do distrito de Massingir, Sérgio Costa, confirmou a ocorrência dos ataques e reconheceu que a presença de leões em zonas habitadas e de pastagem representa um risco elevado para as populações e para os seus meios de subsistência.


Segundo o dirigente, a principal dificuldade reside na escassez de meios técnicos, materiais e operacionais para localizar, afugentar e devolver os animais às áreas protegidas, o que tem atrasado a resposta às ocorrências.

"Lamentamos a perda de quatro cabeças de gado bovino e uma de burro. 

Trata-se de um prejuízo significativo para famílias que dependem da criação de animais para garantir o seu sustento.

 Estamos a reforçar a coordenação com as entidades de conservação para mobilizar recursos e retirar os felinos das comunidades", afirmou.

Sérgio Costa recordou ainda que os leões são espécies protegidas e, por isso, o seu abate não constitui a primeira opção.

 Contudo, admitiu que, em situações extremas, quando todas as tentativas de afugentamento falharem e houver perigo iminente para vidas humanas, poderá ser autorizada a eliminação dos animais.

Entretanto, a preocupação com a circulação de fauna bravia estende-se também ao distrito de Mapai, onde a administradora distrital, Maria Helene Langa, alertou recentemente para a presença de búfalos em zonas residenciais e de pastagem.

 Segundo explicou, além do perigo que representam, a semelhança entre os búfalos e o gado bovino aumenta o risco de acidentes e ataques.

Mapai situa-se num importante corredor ecológico entre os Parques Nacionais do Limpopo e de Banhine, realidade que favorece a deslocação frequente de animais selvagens para áreas ocupadas pelas comunidades.

Os recentes incidentes voltam a evidenciar os desafios da convivência entre as populações e a fauna bravia nas regiões próximas das áreas de conservação, reforçando a necessidade de investimentos em meios de vigilância, equipas de resposta rápida e mecanismos de compensação pelos prejuízos sofridos pelos criadores.

Fonte: Jornal Domingo.

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