INVESTIGAÇÃO INTERNACIONAL DENUNCIA REDE DE RAPTOS E ASSASSINATOS POLÍTICOS EM MOÇAMBIQUE.

Consórcio Forbidden Stories aponta alegado envolvimento de elementos das forças de segurança em operações de perseguição contra opositores, activistas e jornalistas após as eleições de 2024.

Uma investigação internacional coordenada pela Forbidden Stories, intitulada “Mozambique Exposed” (Moçambique Exposto), trouxe a público alegações sobre a existência de uma rede organizada de perseguição, raptos e assassinatos que terá como alvos figuras políticas da oposição, activistas da sociedade civil e jornalistas em Moçambique.

O trabalho investigativo envolveu cerca de 30 jornalistas de 10 órgãos de comunicação social internacionais durante cinco meses de apuração. Segundo o relatório, diversos casos registados nos últimos anos apontam para um padrão de intimidação e violência que se teria intensificado após o processo eleitoral de Outubro de 2024.

Entre os episódios analisados está o assassinato do advogado Elvino Dias, bem como relatos de desaparecimentos forçados de activistas e profissionais de comunicação que denunciaram alegadas irregularidades eleitorais.

De acordo com a investigação, testemunhos recolhidos em várias regiões do país apontam para o alegado envolvimento de agentes ligados ao Serviço Nacional de Investigação Criminal e à Unidade de Intervenção Rápida em operações de vigilância, perseguição e detenções clandestinas.

O relatório refere ainda a existência de uma rede de informantes locais, supostamente ligada a estruturas políticas e comunitárias, responsável pela monitorização de opositores e jornalistas independentes, contribuindo para um ambiente de medo e insegurança.

A investigação estabelece igualmente uma ligação entre a repressão política e o conflito armado na província de Cabo Delgado. Segundo os autores, a disputa pelo controlo das reservas de gás natural e rubis da região estaria associada a dinâmicas de violência que afectam comunidades locais e dificultam o acesso à informação.

O documento destaca que jornalistas que procuram reportar sobre a situação em Cabo Delgado enfrentam obstáculos significativos, incluindo ameaças, agressões, detenções arbitrárias e restrições ao acesso à internet.

O consórcio internacional afirma que a investigação visa dar continuidade ao trabalho de profissionais da informação que foram silenciados, perseguidos ou impedidos de exercer a actividade jornalística. A iniciativa procura manter visíveis denúncias relacionadas com violações dos direitos humanos, liberdade de imprensa e transparência democrática em Moçambique.

Os responsáveis pelo projecto defendem que a divulgação internacional destas informações contribui para aumentar o escrutínio sobre os acontecimentos no país e para reforçar a protecção de jornalistas e activistas em situação de risco.

Fonte: MZN.

#COSSAINFORMACAONEWS/2026.

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