
O Quénia viveu esta segunda-feira um dos dias mais tensos dos últimos meses, depois de uma onda de protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis ter provocado paralisações, confrontos com a polícia e mais de 200 detenções em várias regiões do país.
A contestação começou com motoristas e transportadores, que saíram às ruas para rejeitar o aumento de 23,5% no preço do diesel, medida que está a agravar ainda mais o custo de vida numa economia já pressionada pela inflação e pelo desemprego.
Na capital, Nairobi, milhares de pessoas foram obrigadas a caminhar longas distâncias para chegar aos seus locais de trabalho, devido ao bloqueio de estradas principais e à interrupção parcial dos transportes públicos. Pneus foram queimados em diversos pontos da cidade, enquanto barricadas improvisadas impediram a circulação normal de viaturas.
O impacto dos protestos sentiu-se em quase todos os sectores. Algumas escolas encerraram temporariamente por razões de segurança, enquanto várias empresas optaram pelo trabalho remoto para evitar riscos aos funcionários. Em algumas cidades, actividades comerciais decorreram de forma limitada, perante o receio de novos confrontos.
As autoridades responderam com forte presença policial. A polícia queniana lançou gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes e realizou detenções em massa, alegando vandalização de infra-estruturas públicas, destruição de propriedade e perturbação da ordem pública.
Em diferentes bairros e zonas estratégicas registaram-se confrontos entre manifestantes e forças de segurança, aumentando o clima de medo e instabilidade social. Muitos cidadãos afirmaram que o principal objectivo era apenas regressar a casa em segurança, num ambiente marcado por tensão e incerteza.
O aumento dos combustíveis está a gerar forte indignação popular no Quénia, sobretudo entre trabalhadores do sector dos transportes, comerciantes e famílias de baixa renda, que temem um agravamento do custo de produtos essenciais e serviços básicos nos próximos dias.
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(DW).
