IÉMEN ALERTA QUE APOIO DO IRÃO AOS HOUTHIS AMEAÇA TRANSPORTE MARÍTIMO GLOBAL.

Presidente Rashad al Alimi denuncia risco às rotas comerciais internacionais e pede sanções mais duras contra redes de apoio aos rebeldes

O Presidente do Iémen, Rashad al-Alimi, alertou esta semana que o apoio do Irão aos rebeldes houthis representa uma ameaça crescente ao transporte marítimo internacional, num contexto de aumento das tensões no Estreito de Ormuz.

Segundo a agência estatal iemenita Saba, citada pela EFE, Al-Alimi afirmou que o envolvimento de Teerão pode desestabilizar ainda mais a região e comprometer importantes rotas comerciais globais.

Durante um encontro realizado em Riade com a embaixadora francesa no Iémen, Catherine Corm-Kammoun, o chefe de Estado iemenita denunciou o que classificou como um “projecto destrutivo” do Irão, baseado no uso de grupos armados aliados para ameaçar corredores marítimos estratégicos e cadeias internacionais de abastecimento.

As declarações surgem numa altura em que aumentam as preocupações com a segurança marítima no Médio Oriente. O Irão tem reforçado medidas no Estreito de Ormuz — uma via crucial para o transporte global de petróleo — enquanto cresce também a tensão no Estreito de Bab el-Mandeb.

Embora o Estreito de Bab el-Mandeb se mantenha oficialmente aberto, há receios de agravamento da instabilidade. Autoridades iranianas têm emitido avisos de que a passagem poderá vir a ser encerrada por forças alinhadas com Teerão em Sana, levantando o risco de interrupção simultânea de duas das principais rotas marítimas entre a Ásia e a Europa.

Estas rotas são fundamentais para o escoamento de petróleo e transporte de contentores. Um eventual bloqueio obrigaria os navios a contornar o Cabo da Boa Esperança, aumentando significativamente os custos e o tempo das operações comerciais.

Os riscos de segurança também têm vindo a intensificar-se. Nos últimos anos, os houthis demonstraram capacidade de realizar ataques com mísseis antinavio, drones e operações marítimas, levando forças navais ocidentais a manterem níveis elevados de alerta no Mar Vermelho.

Al-Alimi apelou ainda à imposição de sanções mais rigorosas contra redes acusadas de financiar e armar o grupo rebelde, tendo saudado uma recente intervenção da França no Conselho de Segurança da ONU, que responsabiliza os houthis pelas ameaças aos corredores marítimos.

O conflito no Iémen teve início em 2014, quando os houthis tomaram a capital, Sana, desencadeando uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita no ano seguinte. Desde então, a guerra provocou uma das mais graves crises humanitárias do mundo.

O Presidente iemenita reiterou que uma paz duradoura dependerá da implementação de resoluções internacionais, incluindo a Resolução 2216 do Conselho de Segurança da ONU, que prevê embargo selectivo de armas e o restabelecimento da autoridade estatal no país.

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CossaInformação/2026.

(Lusa).

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