DEBATE SURGE APÓS PRESIDENTE RUANDÊS DEFENDER QUE GOVERNO E EMPRESAS ASSUMAM CUSTOS DA SEGURANÇA EM CABO DELGADO.
As bancadas parlamentares da Assembleia da República estão divididas em torno das recentes declarações do Presidente do Ruanda, Paul Kagame, que desafiou o Governo moçambicano e as empresas que exploram recursos naturais em Cabo Delgado a assumirem os custos da segurança na região.
O posicionamento do estadista ruandês reacendeu o debate sobre o papel das forças estrangeiras no combate ao terrorismo no norte do país, particularmente numa altura em que Cabo Delgado continua a enfrentar ameaças de grupos armados.
A bancada da Frelimo considera que as questões de segurança nacional devem ser geridas exclusivamente pelo Estado moçambicano, defendendo a soberania e a autoridade das instituições nacionais na definição de estratégias. O partido entende que, embora haja cooperação internacional, a liderança das operações deve permanecer nas mãos do Governo.
Na mesma linha, o PODEMOS sustenta que a responsabilização directa das empresas pelos custos de segurança pode abrir precedentes perigosos, colocando em causa o papel do Estado e criando desigualdades na gestão da segurança nacional.
Por outro lado, a Renamo e o MDM interpretam as declarações de Kigali como um sinal de alerta que reforça preocupações antigas. Estas bancadas defendem que a presença de forças estrangeiras deve ser cuidadosamente avaliada, sublinhando os riscos de dependência externa e possíveis implicações na soberania do país.
Para estes partidos da oposição, a posição de Paul Kagame evidencia a necessidade de Moçambique repensar o modelo de cooperação militar e garantir maior transparência nos acordos estabelecidos com parceiros internacionais.
O debate promete continuar a marcar a agenda política nacional, numa altura em que o país procura soluções sustentáveis para garantir a paz e a estabilidade em Cabo Delgado, uma região estratégica devido à exploração de gás natural e outros recursos minerais.
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(Mbctv).


