A África do Sul volta a viver um clima de forte tensão social, com grupos anti-imigração a realizarem acções de porta em porta para localizar e expulsar cidadãos estrangeiros das suas residências.
Os incidentes, registados na quinta-feira em Joanesburgo, representam uma escalada dos protestos contra imigrantes e aumentam a preocupação entre as comunidades migrantes e os países vizinhos.
No bairro de Alexandra, manifestantes arrombaram portas de várias habitações onde suspeitavam da presença de imigrantes em situação irregular. Após as buscas, alguns cidadãos estrangeiros foram entregues à polícia, que os transportou para locais não divulgados pelas autoridades.
Entre os detidos encontravam-se uma mulher e uma criança provenientes do Malawi. Um cidadão do Zimbabwe, identificado como Total Mhlanga, afirmou que reside legalmente na África do Sul ao abrigo do Zimbabwe Exemption Permit (ZEP), documento que autoriza milhares de zimbabueanos a viver e trabalhar legalmente no país.
Entretanto, em Soweto, centenas de manifestantes percorreram as ruas empunhando paus e bandeiras, declarando que pretendiam identificar imigrantes em situação irregular. Antes da marcha foram distribuídos panfletos anunciando uma "marcha pacífica", seguida de operações "porta a porta".
Acções semelhantes foram igualmente registadas em Durban, na costa leste sul-africana.
O aumento do sentimento anti-imigração ocorre num contexto de elevado desemprego e dificuldades económicas enfrentadas pela África do Sul.
Alguns movimentos acusam os imigrantes de contribuírem para a pressão sobre o mercado de trabalho e sobre os serviços públicos.
Entre esses grupos destaca-se o movimento March and March, que defende o reforço do controlo das fronteiras, deportações em massa e prioridade dos cidadãos sul-africanos no acesso aos serviços de saúde e educação.
"Estamos a andar de porta em porta para expulsar estrangeiros", declarou Bongani Msomi, um dos líderes comunitários presentes na manifestação em Alexandra.
Por seu lado, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, apelou ao respeito pelo Estado de Direito e advertiu que os cidadãos não possuem autoridade para exercer funções de fiscalização migratória.
O Chefe de Estado alertou ainda para os riscos de responsabilizar os imigrantes pelos problemas estruturais enfrentados pelo país.
Em resposta aos protestos, a polícia reforçou o destacamento de efectivos nas zonas afectadas e intensificou as operações contra imigrantes em situação irregular.
Contudo, até ao momento, as autoridades policiais de Joanesburgo não prestaram esclarecimentos sobre a actuação dos manifestantes nem sobre a resposta das forças de segurança.
A situação também começa a produzir efeitos nos países vizinhos. O Governo do Malawi informou que mais de 38 mil cidadãos regressaram da África do Sul nas últimas semanas por razões de segurança. Já o Zimbabwe indicou que mais de 60 mil cidadãos retornaram ao país no mesmo período, evidenciando o impacto regional da crescente onda de manifestações anti-imigração.
Fonte: Reuters.
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