MOZAL: MAIS DE 3 MIL TRABALHADORES CONTINUAM NO LIMBO APÓS PARALISAÇÃO DA FUNDIÇÃO.

IMPASSE ENTRE MOZAL E EDM SOBRE TARIFAS DE ENERGIA AGRAVA CRISE LABORAL EM BELULUANE.

A situação laboral em torno da fábrica de alumínio Mozal continua tensa, com cerca de 3 mil trabalhadores indirectos sem garantias de indemnização desde a suspensão das operações da fundição, ocorrida a 15 de Março deste ano.

A paralisação da produção resultou do impasse entre a Mozal e a Electricidade de Moçambique (EDM) sobre as tarifas de fornecimento de energia eléctrica. 

A fundição é um dos maiores consumidores de energia do país, utilizando aproximadamente 900 megawatts, o equivalente a cerca de 40% da electricidade produzida em Moçambique.

Com a interrupção das actividades, pelo menos 20 empresas fornecedoras que prestavam serviços à Mozal perderam contratos de forma imediata, afectando milhares de trabalhadores. Destas empresas, apenas oito conseguiram regularizar integralmente as indemnizações dos seus funcionários.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Mineira e Energia (SINTIME), através do seu Secretário-Geral, Américo Macamo, está a intermediar negociações entre os trabalhadores, as empresas fornecedoras e os patronatos, numa tentativa de evitar o agravamento dos conflitos laborais.

Segundo Macamo, o principal problema reside no facto de a responsabilidade legal pelas compensações recair sobre as empresas subcontratadas e não directamente sobre a Mozal. Entretanto, muitas dessas firmas alegam não possuir capacidade financeira para pagar indemnizações sem antes receber valores pendentes da fundição.

A Mozal pertence ao grupo mineiro South32, cujo director-executivo, Graham Kerr, já advertiu que a continuidade das operações depende de um acordo energético sustentável e viável com a EDM.

De acordo com Kerr, manter a fundição encerrada representa um custo elevado para a empresa, estimado em cerca de 60 milhões de dólares em despesas de rescisões contratuais, além de aproximadamente 5 milhões de dólares anuais destinados apenas à manutenção das infra-estruturas.

A Mozal emprega directamente cerca de mil trabalhadores e gera aproximadamente quatro mil empregos indirectos, sendo igualmente considerada uma das principais exportadoras do país, responsável por cerca de 20% das exportações nacionais.

O Governo moçambicano acompanha com preocupação o evoluir da situação, devido ao impacto económico que um eventual encerramento definitivo da fundição poderá provocar. Além de afectar milhares de famílias, o fecho da Mozal poderá comprometer a atractividade da zona industrial de Beluluane para futuros investimentos.

Entretanto, fontes ligadas ao processo indicam que, caso não seja alcançado um entendimento entre a Mozal e a EDM até Agosto ou Setembro, aumenta significativamente o risco de despedimentos definitivos nas empresas fornecedoras ainda incapazes de cumprir as obrigações laborais.

#COSSAINFORMACAO/2026.

(F.ANONIMA).

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem